5 de setembro de 2005

VERÃO 2005, OU O FLAGELO DOS INCÊNDIOS

Já muito se disse, falou e escreveu acerca dos incêndios que mais uma vez voltaram a assolar o país de norte a sul, do interior ao litoral. É verdade que podemos sempre afirmar que se trata de uma ano de excepção, que a seca potencia a deflagração (voluntária ou natural) de incêndios, etc. mas a verdade é que 2003 também foi uma ano de excepção (devido a anormais comportamentos do anticiclone dos Açores), e que 2004 também não esteve muito longe deste estado de excepção. Resumindo, nos três últimos anos o país foi sendo consecutivamente consumido na época estival por incêndios de dimensões impressionantes.


O plano de prevenção e combate a incêndios do nosso país é algo de extraordinariamente confuso ou inexistente, e quanto a este ponto gostava de fazer algumas críticas e lançar algumas ideias.

Primeiro, há que acabar com esta visão sazonal do problema, uma vez que os incêndios se evitam em primeira linha através da limpeza, manutenção e organização da área florestal, se a floresta estiver limpa e organizada com os acessos bem rasgados e cartografados, ganhamos rapidez e eficácia no combate às chamas.

Em segundo lugar tem que se fazer uma opção definitiva sobre o equipamento aéreo que o país deve ter à disposição, e qual o meio de pagamento e financiamento dos mesmos. Se quanto ao tipo de equipamentos a escolha deve ser deixada aos técnicos competentes e não à classe política, já o financiamento é da exclusiva responsabilidade dos últimos, devendo ter-se em conta que o tempo perdido nos últimos três anos colaborou para os cerca de 745.000 hectares de área ardida (dados da DGRF), que correspondem a brutais perdas financeiras numa economia cujo PIB depende em cerca de 5% deste recurso natural. Quanto mais depressa a decisão for tomada melhor.

Em terceiro lugar, devemos repensar o sistema de financiamento das corporações de bombeiros. Num país onde a quase totalidade das corporações são voluntárias, é ridículo ter-se um sistema de subsídios estatais que, pelo menos em parte significativa, se baseia num cálculo sobre incêndios ocorridos, quando se pretende exactamente o inverso, que eles não deflagrem. Sem querer apontar o dedo a ninguém e muito menos às corporações de bombeiros (às quais o país deve tanto…) a verdade é que este sistema não incentiva o trabalho de prevenção. Em alternativa proponho que este cálculo de subsídios deveria basear-se num valor de 100% a que corresponderia a área de floresta a cargo da corporação, sendo o subsídio cortado consoante a percentagem de área ardida, podendo ainda pensar-se num sistema que premeie as corporações mais eficazes. Assim conseguia-se incentivar o trabalho de prevenção e uma maior eficácia por parte das corporações.

Em quarto lugar há que repensar toda a estrutura de comando e disposição geográfica dos meios de combate a incêndios. É inadmissível que se assista a sobreposições de competências, que não haja UM comandante nacional com funções verdadeiramente executivas (recordo aqui as declarações do comandante nacional em exercício, que definia a sua função como de moralização dos bombeiros) que se apoie numa cadeia de comando com não mais que três níveis, (1) um super-regional (correspondente à divisão do país em três sectores: norte, centro e sul), (2) um distrital e (3) um local (correspondente aos comandantes de corporação). Desta forma consegue-se uma cadeia de comando rápida e eficaz no que toca à mobilização geográfica de bombeiros para o combate às chamas e à gestão da actuação dos meios aéreos. Esta estrutura deveria responder directamente perante o ministro da tutela, na pessoa do comandante nacional.

Por último gostava só de fazer uma breve referência às alterações que se avizinham no regime do código penal. Apesar de ser favorável ao agravamento das penas de incendiários, parece-me que o importante era travar todos os possíveis interesses nas áreas ardidas, tais como a especulação imobiliária (em Espanha não se pode construir num espaço de 30 anos sobre área ardida!) e isso consegue-se através de legislação que verdadeiramente trave estes interesses.

18 de julho de 2005

Estado do Sítio

O enterro dos socialismos



Este sítio não está só muito mal frequentado como avança alegre e rapidamente para a falência. Algumas elites, as poucas que ainda vão existindo por estas terras, romperam com anos e anos de silêncios e cumplicidades e desataram a dizer umas tantas verdades que a maioria atira para debaixo do tapete o mais depressa possível, não vá o Diabo tecê-las e acabar com os arranjinhos políticos, económicos e sociais que transformaram este regime num colossal embuste.

João Salgueiro, uma figura insuspeita de não gostar do pântano nacional, afirma que o País é inviável há duas décadas. Fernando Ulrich, um respeitável banqueiro longe dos populismos de esquerda ou direita, diz que o modelo português ao nível político, económico e social não serve. Ou seja, o regime está podre e não se recomenda a ninguém. E para que não haja quaisquer dúvidas sobre o estado a que este sítio muito mal frequentado chegou, veio o ministro das Finanças do Governo socialista de José Sócrates dizer aos perplexos cidadãos que os investimentos públicos anunciados com muita pompa e circunstância no Centro Cultural de Belém, uma obra emblemática do cavaquismo e de como se gastam milhões a mais em Portugal, são um embuste tremendo. Campos e Cunha, numa forma muito original de vir a público dizer que está farto de ser ministro das Finanças, tem imensa razão quando escreve que hoje viveríamos melhor se certos investimentos não tivessem sido realizados.


O sítio está, portanto, a chegar a um beco sem saída. As elites já falam verdade e um ministro de Estado há quatro meses em funções prepara-se para voltar à universidade. Entretanto, a economia afunda-se, as despesas públicas disparam, o desemprego sobe e o povo, bem acompanhado pelo supremo magistrado da Nação, nem quer ouvir falar em crise. Uns vão para a praia e outros organizam greves, marchas e marchinhas na defesa de direitos irresponsavelmente concedidos por um Estado que já era inviável há duas décadas. Mas como em muitas situações na vida, há males que até vêm por bem.


Com um país falido, um regime moribundo, um povo cada vez mais velho e iletrado, começa a chegar a hora de se pôr tudo em causa. A começar pela arqueológica Constituição da República, um verdadeiro obstáculo às reformas, à modernidade e ao desenvolvimento. Mas como o Bloco Central do pantanal está verdadeiramente decidido a enterrar Portugal, importa obrigá--lo, pelas força das palavras, a referendar um texto fundamental que seja a primeira pedra de um novo regime. E de um novo modelo político, económico e social que enterre de vez os socialismos. Todos.



António Ribeiro Ferreira, in Diário de Notícias 18 de Julho de 2005

27 de junho de 2005

Agricultura, Alimentação e Saúde

Portugal Desperdiça Recursos Hídricos

Portugal continua a desperdiçar recursos hídricos como nenhum outro país da Europa, afirma o agrónomo António Campos, a propósito do livro «Agricultura, Alimentação e Saúde», a lançar na terça-feira pela editora Âncora, em co-autoria com Rui Azevedo.

António Campos chama a atenção para o agravamento das carências de água em algumas zonas do território português e para o avanço da desertificação no Sul, agravada pelos incêndios e pela erosão progressiva dos terrenos.

«Em Portugal, o problema da gestão dos recursos hídricos reveste contornos escandalosos porque os cursos de água não têm nenhum tipo de manutenção, de cuidados de defesa e de ordenamento nas suas margens, e a política florestal nacional é um atentado contra a água», sustenta.

Focando o caso específico do Alentejo e Algarve, o antigo eurodeputado socialista considera «uma irresponsabilidade política o fomento dos campos de golfe» naquelas regiões, onde a água assume uma importância decisiva.

Para além de legislação penalizadora para os grandes gastadores de água, Campos defende a intensificação do tratamento e reaproveitamento das águas dos esgotos urbanos, reportando-se à experiência de vários países da Europa onde se verifica uma gestão equilibrada de tais procedimentos, nomeadamente no caso dos espaços verdes urbanos, que são «irrigados com estas águas, que voltam a ter qualidade adequada depois de tratadas».

A dessalinização é outra alternativa que o autor acha necessário reequacionar, admitindo que «a prazo» há-de encontrar-se a forma de «transformar, a baixo preço, a água do mar em água potável», devendo até lá imperar a gestão sustentada deste recurso natural.

No capítulo dedicado ao modelo alimentar dos países desenvolvidos, o autor destaca que nesses países as «pessoas só consomem directamente 30 por cento dos cereais produzidos, destinando-se os restantes 70 por cento ao fabrico de rações para fomentar a produção intensiva de carne e leite», ficando a «matéria verde, cada vez mais destinada a ser destruída pelo fogo», quando podia ser usada na alimentação dos herbívoros, principalmente vacas, cabras e ovelhas. «Em vez disso, o modelo vigente promove que os animais sejam alimentados a rações», comenta.

António Campos critica as grandes empresas do sector agro-alimentar, que «promoveram um desenvolvimento fantástico da cadeia alimentar e a concentração da comercialização em multinacionais poderosíssimas», efectuando uma «integração vertical do sector, principalmente nas grandes produções objecto do comércio a longa distância», designadamente cereais, carne, oleaginosas, café, bananas e chá. E apresenta um gráfico das maiores dez multinacionais do ramo agro-alimentar, com as vendas anuais lideradas pela Cargill (EUA), com 55 mil milhões de euros, seguida da Nestlé (Suíça) e da Kraft (EUA), ambas com 42 mil milhões, da Unilever (Holanda/Reino Unido) com 32 mil milhões; depois, as norte-americanas Con Agra e a Pepsico, ambas com 30 mil milhões de euros de facturação anual.

António Campos é engenheiro técnico agrário e foi membro de vários governos do Partido Socialista - secretário de Estado do Fomento Agrário, secretário de Estado da Estruturação Agrária e secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro. Rui Azevedo é agrónomo de formação e actualmente funcionário da Comissão Europeia. O prefácio é de Mário.




in Expresso Online, 27 Junho 2005 (15:05)

24 de maio de 2005

SIM à Europa, NÃO ao Tratado Constitucional


Desde 1950, com a declaração de Schuman, que União Europeia tal como a conhecemos hoje, tem vindo a ser construída exclusivamente pela sua classe política. O primeiro passo para a sua democratização dá-se em 1979 com as eleições para o parlamento europeu, convém lembrá-lo, assim como ao seu diminuto papel no seio das comunidades, com competências cada vez mais amplas, mas ainda assim diminutas.

Efectivamente os políticos europeus sempre viram esta ‘ingerência democrática’ com bastante desconfiança, dentro dos próprios Estados-membros, principalmente em período de eleições europeias, pouco ou nada se fala ou diz da UE, preferindo-se a discussão de problemas internos, tais como cartões amarelos ou xeque-mates aos governos. Nem a própria classe política nacional estimula o debate, alimentando ao invés as suas disputas nacionais.

A Convenção que redigiu e apresentou a primeira proposta deste ‘Tratado Que Institui Uma Constituição Para A Europa’ veio confirmar o modelo europeu de fazer política: Entre políticos! Houve no entanto quem quisesse aproveitar este novo tratado para legitimar o futuro da EU, algo que me surpreendeu positivamente, mas no fundo algo que já esperava. O que eu não esperava era que os europeus aproveitassem a oportunidades para se insurgirem contra este modo de ir construindo a sua UE!
De facto poucos ou ninguém o esperava, muito menos a nossa classe política, que para mais uma vez evitar o debate em torno da construção europeia marcou o referendo mais supranacional para a mesma data das eleições mais locais possíveis.

Como tal, o meu voto, será em 49% um SIM à Europa enquanto união de estados, enquanto motor de coesão social e económica, enquanto mercado comum e união monetária, mas será acima de tudo, em 51% um NÃO a este modelo de construção europeia, uma construção pouco clara e demasiado sinuosa.

P.S.: Se o tratado é ou representa a abertura de um federalismo europeu, será alvo de artigo posterior, prometo!

26 de abril de 2005

Alentejo

Entre Vistas,

de António Esteves, Jornalista

É por ele que vamos. Pelo silêncio de ouro, riqueza máxima da nossa paciência desgastada por dias e dias de uma guerra que vai crescendo em sobressalto. É por ele que vamos, pelo som ausente dessa angústia que nos enche o écran a cada hora - o som da guerra que mata. Na morte também há silêncio, mas nós procuramos a tranquilidade em vida, sem perigos nem desassossegos.


Procuramos um palmo de terra onde não descansaremos eternamente, e ainda bem, mas onde vamos pousar os esqueletos para um repouso mais que merecido. Alguém diz que é no Alentejo que sabe bem não fazer nada. Que lá o descanso rende mais que o petróleo do Iraque. Terra de molezas e outros prazeres, o Alentejo é também o aconchego de gente que trabalha de sol a sol e que não merece a fama de preguiçar desalmadamente. É nos rostos morenos de quem faz da planície morada permanente que está a prova de uma vida digna, de muito esforço e pouco ócio.


Os povos são o que são e adaptam-se ao clima que os acolhe. E se é verdade que este cantinho à beira do Atlântico é tão pequeno que se mede sem grandes trabalhos, também não será menos verdade que é possível encontrar climas diversos nesta nesga de pátria. E o alentejano - o clima - é impiedoso e castigador.


Ai de quem se obriga ao arar da terra debaixo do astro que abrasa e não perdoa nenhum descuido. Num destes verões, de costas a descoberto, parecia que uma labareda caída do céu me tinha vindo morder a pele. Apressei-me a ajeitar o agasalho e percebi o que deve sofrer quem tem de se sujeitar a horas sem conta a estes tormentos para plantar na planície o dourado que tanto amamos. É o verde que se queima depressa e nos dá as tonalidades próprias que baptizaram os campos de "planícies douradas". É por isso que as azinheiras e os sobreiros das anedotas são muito úteis para uma sesta ao fresco, não por preguiça, apenas para retempero das forças que faltam muito cedo.



Ai de quem não tenha água fresca trancada no cântaro de barro com rolha de cortiça para saborear numa das raras sombras que salpicam o horizonte queimado pelo brasido. Os alentejanos não preguiçam, repousam e retemperam-se para novas trabalheiras, essa é que é essa.



Saímos de manhã. Para ti já é tarde. Custa-me madrugar e para mim às dez é cedinho. Não há sol para aquecer a viagem mas vamos na mesma. A música quase não se ouve, mas as melodias vão embalando a viagem que decidimos fazer em marcha lenta. Estamos a saborear um dos raros momentos em que o relógio não marca o passo e por isso nem queremos saber o que dizem os ponteiros. Não dizem nada. Dizemos nós que queremos parar em Montemor para o almoço.


Por desventuras que agora não vêm ao caso acabamos em Évora, com o céu num choro diluviano e nós a correr pelas ruas de uma das cidades mais bonitas do país. Temos fome e acabamos abrigados perto da morada que o Luís Rêgo nos deu, à pressa, pelo telefone. Como é que um alentejano consegue falar tão depressa? Ele fala, em cinco minutos deu três sugestões e nenhuma servia. Mas que diabo não há restaurantes abertos em Évora aos sábados à tarde? Há sim senhor, diz o Rêgo. E se ele diz. Ele diz até muitas coisas, mas costuma acertar mais quando fala para a televisão. O Rêgo - diacho de apelido - é o homem da SIC no Alentejo, ele e o Xô Rebêro (Sr. Ribeiro) fazem uma parelha infernal de jornalistas. Logo hoje é que aquelas almas não acertam uma e nos fazem correr as ruas, belas sem dúvida, de Évora.


Abrigados no telheirinho do "Botequim da Mouraria" decidimos entrar. Meu Deus não pode ser! Estamos enganados. Pois estamos! É um café. Só tem balcão. É para almoçar? Pergunta um senhor de ar divertido. Era, mas já vi que não podemos. Podem sim senhor, façam favor de se sentar. Olha pois é, não há mesas. A um canto do balcão está o Fernando Madrinha, do Expresso. Bom sinal, penso eu. E pensei bem. Sendo o Expresso autor de um dos melhores guias que conheço, de quase tudo, estranho seria que um dos responsáveis pela coisa se deixasse enganar. Não deixou.


Logo na entrada uma coisa de que gostas tanto. Queijo. Mas este não é um queijo qualquer. A menina gostou? Hummm?! Xim, xim... Ai não gostou! Logo tu que adoras queijo. Mas este é sem dúvida algo de extraordinário. Este vai ao lume, fica derretido e leva um tempero delicioso. Só provando. Indescritível!


O sítio não é um restaurante comum, pode dizer-se que é um snack-bar com uma garrafeira de fazer inveja e muitos petiscos. Presunto de Barrancos, Farinheira Assada, Queijinho de Ovelha, Ovinhos de Codorniz com Paio de Porco Preto, Ovos Mexidos com Espargos Bravos e Torresmos de Rissol. Ao almoço, servem também pratos regionais, como Sopa de Cação, Migas de Espargos com Carne de Porco, e os pratos de Caça. Em sobremesas: Queijadas de Évora ou Encharcadas de Mourão. Na garrafeira exposta há, acredite ou não, praticamente todos os vinhos do Alentejo. Preço médio: 20 euros. Com vinho, como é evidente.


Já lá tínhamos passado de dia, mas voltámos para jantar à noite. O teu guia, que guardas com um desvelo religioso, diz que lá na terra - em Borba - há um restaurante que merece uma visita. Vamos nisso. Depois de um périplo alentejano estamos cansados e apetece um jantar com sabores da região para recuperar.
Monsaraz é terra bonita e abriu-nos o apetite. Vila Viçosa está cada vez mais bonita e elegante, vestida de mármores coloridos e muito polidos. Tem um ar frio, ainda mais hoje que chove a potes, mas deve ser um paraíso nos dias escaldantes no Verão. Estremoz também é terra de muitos atributos, mas já lá vamos. Agora estamos em Borba, nas ruas estreitas e encharcadas pelo temporal, de nariz levantado em busca da placa que não aparece. E de repente, sem querer, ouvimos um rumor que chega por uma fresta de uma porta mal fechada. Tu achas que é ali. E se tu achas é porque é mesmo. És de poucos enganos. Deve ser a tal intuição feminina. Era mesmo. Mais uma surpresa. Estamos numa adega gigante, com as enormes talhas encostadas à parede e meia dúzia de mesas a preencher a sala. Da cozinha sai um jovem cheio de genica e agradáveis iguarias num equilíbrio instável que acaba numa das mesas com gente ansiosa pelo petisco.


É uma adega especial onde ainda se fabrica o conhecido vinho da região. De aspecto simples e castiço, esta casa com bancos e mesas de madeira oferece uma enorme variedade de pratos típicos do Alentejo: Cacholeira Assada, Sopa de Cação, Bacalhau à Talha, Migas Alentejanas, Cacholas, Burras Assadas no Forno, Ensopado de Borrego, Cozido de Grão ou Carapaus Fritos com Miolos de Tomate. Para sobremesa: Sericáia com Ameixa, Leite-Creme com Bolacha, Doce de nata e Pudim de Ovos. Encerra de Agosto a Outubro. Nestes meses fabrica-se vinho lá na casa. E é óptimo!


O jovem, bem-humorado, fica satisfeito quando lhe dizemos que viemos aconselhados pelo roteiro da Visão que lhe atribui boa fama. Ai é? Bem já cá esteve o José Hermano Saraiva a gravar um programa. Lembram-se? Não nos lembramos. Agora isto. Um dia destes o Liedson marca um golo, levanta a camisola e lê-se: "Restaurante a Talha", em Borba. Teve graça o rapaz, mas não me parece. Os patrões da bola já acabaram com esse tipo de entusiasmos. Não lhe dizemos, depois de nos servir com tal simpatia não merece o desgosto. Preço médio, 5 euros. Parece mentira.


E depois de tantos atropelos à dieta, que juramos só trair aos fins-de-semana, acabamos em repouso no local que nos levou ao Alentejo. O Monte dos Pensamentos, em Estremoz. Os proprietários são simpáticos e afáveis, e o local tem o que procuramos, um silêncio quase total. Casa rústica e muito bem decorada dentro do estilo da região, tem todos os luxos que se pedem num local vocacionado para o turismo com cores rurais. Os preços são simpáticos e o conselho não pode ser outro: ideal para quem está em fuga desesperada da "canseira" urbana. Ali ao lado está Estremoz, cidade de muitos encantos e que merece uma visita atenta e demorada.


Quem vem de Estremoz, vira em direcção a Lisboa mas não entra na auto-estrada. Logo a seguir vira à direita e ALTO.... a 50 metros, rigorosamente, está a entrada do Monte. Se não abrandar acontece-lhe o mesmo que a nós... demoramos mais um bocadinho. Já sei miúda, a culpa é minha. Falta-me a intuição. És mesmo distraído! Pois sou!

António Esteves, in Opinião (20-4-2005), SicOnline (www.sic.sapo.pt)

19 de abril de 2005

Habemus Papam!

Acaba de sair o fumo branco da chaminé da Capela Sistina, onde se encontrava reunido o conclave de cardeais, que com este sinal indicam a eleição de um novo Papa.

O Papa eleito é o cardeal Joseph Ratzinger, que adoptou o nome de Bento XVI!

Na oração Urbi et Orbi, pronunciada da varanda principal da basílica de S. Pedro, na cidade do Vaticano, e perante largos milhares de fiéis que o aclamaram, O Papa Bento XVI pediu as orações dos fiéis pelo seu pontificado.

Viva el Papa!

8 de abril de 2005

A semana em revista

Esta semana foi claramente marcada pela morte do Papa João Paulo II, no último sábado, e que levou à concentração de milhares de peregrinos em Roma. Foram impressionantes as intermináveis filas de fiéis, que chegavam a esperar cerca de 15 horas para poderem prestar uma última homenagem a João Paulo II.
Hoje o mundo parou, e os sinos tocaram em todo o mundo, para um último adeus ao Papa, que foi hoje a sepultar na Cidade do Vaticano.

A par disto, a comunicação social portuguesa conseguiu acompanhar ao minuto o que se passava na Cidade do Vaticano, enchendo as suas emissões com as referidas 'notícias'.
Não deixa de ser triste notar que os 'Media' portugueses continuam bastante longe de serem a referência do jornalismo, de outra forma não se perceberia o facto de os principais telejornais, a emitirem em 'prime-time', dedicarem durante toda a semana cerca de 30 minutos dos blocos noticiosos a este tema, cobrindo e noticiando o necessário e o desnecessário. O que mais me inquieta não é o facto de isto ter ocorrido, mas sim o facto de situações idênticas serem uma constante na televisão portuguesa.


A semana é também marcada pela morte do príncipe Rainier III do Mónaco, vítima de doença prolongada, chefe de estado do mais pequeno estado do mundo. Durante o seu reinado, o pequeno principado, foi aceite como membro das Nações Unidas e viu a sua posição de estado sair reforçada. Na linha de sucessão encontra-se o príncipe Alberto, que rege o principado desde o internamento do seu pai.


No plano interno, o Presidente da República decidiu vetar uma série de diplomas aprovados pelo anterior governo, e que segundo Jorge Sampaio deveriam ser aprovados pelo governo de José Sócrates. Entre os diplomas vetados encontra-se o diploma que aprova o estabelecimento da zona de jogo da Serra da Estrela, projecto aprovado pela Inspecção Geral de Jogos, e já com prazos definidos para o início das obras do novo casino. Mais uma vez se percebe porque é tão dificil agilizar a função pública e os processos de decisão.

Iniciaram-se também os trabalhos da sétima revisão constitucional na Assembleia da República, que se destinam a tornar possível o referendo a Tratados Europeus e a permitir a coincidência de referendos com eleições gerais.